Se você usa conscientemente o cartão a seu favor e o banco não quer mais aumentar seu limite, por que não fazer um segundo em outro lugar?
A primeira coisa que você deve analisar é se realmente consegue arcar com duas faturas, os juros são altos e impraticáveis em todas as bandeiras. Nunca faça outro cartão porque você está preso ao pagamento mínimo do primeiro, isso te conduzirá à forca e você mesmo será seu carrasco, experiência própria. Se teu nome está negativado (no Serasa, por exemplo), você não conseguirá nem se cadastrar. Agora, se tudo está a seu favor, o ponto seguinte é a anuidade.
Basicamente, há duas bandeiras populares: Visa e Mastercard; a anuidade é a mesma para ambas, o valor varia em função do emissor do seu cartão e das taxas (fantasmas) que ele cobrar. Claro que tem outras bandeiras, como a Diners ou a American Express mas o foco e o custo delas é para perfis gold, que não é meu foco neste artigo. Mas espero que em alguns anos estejamos todos nessa faixa.
Aos emissores. Muitos estabelecimentos, como forma de fidelizar seus clientes, passaram a emitir cartões de crédito personalizados com uma dessas duas bandeiras que eu chamei de populares. Ao fazerem isso, eles também oferecem uma série de vantagens para que o cliente utilize o cartão de crédito no próprio estabelecimento e assim acumule pontos e os troque por produtos ou milhas aéreas. Esses cartões são as melhores opções para quem quer um cartão adicional pois não entra na burocracia de um banco e lhe possibilita ter mais de um.
A melhor alternativa, em termos de anuidade, é o cartão da Petrobras. Como o próprio site anuncia, ele é "sem anuidade, sem taxa de adesão e sem tarifas de extrato". Você ganha 1 ponto a cada US$ 1 gasto, 2 pontos se o cartão for utilizado na rede Petrobras. Dentre as lojas de departamentos, a melhor opção é o cartão Riachuelo: anuidade de R$ 36. Os cartões da Marisa e da C&A também são boas pedidas, no entanto, eles têm uma taxa "fantasma" que você só fica sabendo (puto da vida) quando recebe a fatura: eles cobram R$ 2,99 pela emissão e envio da cobrança. Ou seja, somada à anuidade, tem R$ 2,99 por mês. Tenso! Verifique sempre se a operadora cobra o primeiro cadastro ou algum seguro não anunciado no cadastro (antiroubo, desemprego, dor de barriga), esses peguinhas são bem inconvenientes e têm o poder de tornar seu mês uma romaria aos SAC's da vida.
Na Marisa a anuidade é de R$ 46,80, na C&A é de R$ 59,90 e no Extra é de R$ 72. Dependendo do seu consumo, uma anuidade mais cara pode ser vantajosa pois alguns estabelecimentos oferecem descontos e/ou parcelamentos exclusivos para quem tem um cartão de bandeira corporativa, como é o caso do Extra que dá descontos de 5 a 50% nas compras pelo site com o cartão da loja. Outra vantagem são os programas de fidelidade. Encontrei três programas interessantes, a anuidade de cada cartão vem entre parênteses: Americanas (R$ 60), Submarino (R$ 79,60) e Livraria Cultura (R$ 120).
Nas Americanas, ao comprar pelo site da loja com o cartão corporativo, você ganha o dobro de pontos que ganharia utilizando o cartão em outros estabelecimentos. Os pontos do programa de fidelidade podem ser trocados por produtos no site das Americanas ou por milhas na Tam ou na Gol. O cartão da Livaria Cultura também trabalha com pontos, a cada 1000 pontos acumulados no cartão, o cliente tem R$ 10 de crédito para utilizar na aquisição dos itens vendidos na loja, se a compra for realizada nas lojas da Cultura ou no site, você ganha 10 pontos a cada R$ 1 gasto, se for em outros estabelecimentos é 1 ponto para cada R$ 1,00. Já o Submarino tem uma estratégia bacana, se você utiliza o cartão no site, automaticamente, tem um limite 3 vezes maior (para compras parceladas) e acumula 3 léguas para cada R$ 1,00 gasto. Os pontos podem ser utilizados como vale-presentes a partir de 7.500 léguas. Além disso, você pode parcelar qualquer item do submarino em 15x, utilizando o cartão corporativo.
Um alerta sobre os pontos, tudo que você gasta no seu cartão rende pontos e as operadoras até incentivam que você pague suas contas (boletos) no cartão. Mas, essa operação tem uma taxa extra. Ou seja, você ganha pontos MAS tem que pagar pelo serviço. No Banco do Brasil paguei R$ 5,40 por um boleto. Ou seja, não compensa. Se você coloca seus pagamentos no débito automático também ganha pontos mas no relacionamento com o banco e assim consegue descontos nos pacotes de serviços ou créditos para o celular.
A desvantagem do Submarino é que o cartão não é operado por um banco, mas sim por uma instituição financeira, a Cetelem. Ao escolher um cartão emitido por um banco, você tem mais acessibilidade devido à rede de atendimento. Lembre-se que os bancos tendem a ser mais nacionais que instituições financeiras, portanto, o atendimento telefônico e os caixas eletrônicos são mais democráticos que os terminais utilizados pelas instituições (no caso da Cetelem, o Banco 24Horas). Os cartões da Riachuelo também são de uma instituição financeira, a Midway, mas você pode resolver quase todos os problemas nas lojas Riachuelo e elas estão espalhadas em quase todo o Brasil, então, ponto para a acessibilidade.
A maioria desses cartões corporativos é emitida pela Itaucard. E é no Itaú que tem outra possibilidade barata de conseguir um cartão de crédito: por meio da iConta. Essa modalidade tem custo de manutenção zero (mas você paga R$ 50 pelo cadastro inicial), mas o ponto negativo é que você não pode resolver nada na agência, tudo é por meio do telefone, da internet ou pelos caixas eletrônicos, se você falar com o gerente é cobrada uma taxa. Para quem precisa apenas do cartão, compensa abrir uma iConta pois a anuidade do cartão (nacional) é R$ 48.
Dentre os bancos, o Santander e o Banco do Brasil também são boas opções. O pacote de serviços da conta simples no Santander custa para o correntista R$ 19,90 ao mês (R$ 4,95 se você é universitário) e no BB uma conta similar sai por R$ 11,90 mensais (R$ 3,80 para universitários). No Santander, se você usar o cartão todo mês, não paga anuidade. No BB a anuidade é de R$ 66.
Opções não faltam. Mais uma vez reafirmo, se você tem controle sobre seus gastos, o cartão é um ótimo aliado, por isso não esqueça de calcular o impacto da anuidade (e saber como ela será cobrada) no seu orçamento. O ideal é que você divida o uso dos seus cartões por grupo de gastos: um para viagens, outro para livros, outro para eletrônicos e assim sucessivamente de acordo com seus gastos. O ideal é que as faturas dos cartões, somadas, não ultrapassem de 20 a 30% do seu orçamento; com mais dinheiro em mãos, seu poder de barganha na hora de uma compra é maior e com dinheiro no banco você evita as externalidades negativas das emergências inesperadas.
Dependendo do seu objetivo, vale a pena chorar mais crédito para seu gerente, explique o que você quer (um notebook para a monografia ou a CNH tanto esperada). Ele pode abrir uma exceção, desde que sua renda e seu perfil pregresso ajudem. Mas, com um ou mais cartões, concentre o resgate dos pontos no mesmo programa (dotz ou multiplus, por exemplo) e seus ganhos serão muito maiores e em menos tempo.
Espero que essas dicas te ajudem na hora de buscar um cartão adicional. As opções que citei não são excludentes, há dezenas de possibilidades (Postos Ipiranga, TAM, Pão de Açúcar, Leroy etc) com suas taxas, anuidades e peculiaridades. Quem ganha ao esgotá-las e escolher a melhor é o seu bolso. Boas compras!